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O IKEA é que está a dar.

por Incrivelmente Insólito, em 16.04.18

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Fui ao IKEA. Tenho de vos confessar que foi uma excitação. Senti-me tão excitado com tamanha revolução de pessoas ali todas juntinhas que nem uma orgia numa casa de put@s, que acho que quando saí da lá vim com a cuequinha molhada. Ora era encontrão daqui, encontrão dali, roçadela de acolá, que as vibrações ficaram ao rubro. Se tivesse lá estado mais tempo acho que ficava de esperanças só de me tocarem, que nem uma virgem do paraíso. Vontades à parte de desatar à chapada a toda a gente, ainda consegui tirar por ali umas radiografias da grande maioria dos tipos de clientes que ali deambulam, e que, como não têm mais nada para fazer em casa, vão chatear os cornos dos outros que andam a fuçar para ganhar algum.

 
Vi por lá os que realmente vão dar lucro àquilo. Existem pessoas que vem o monstro das mobílias como um templo onde adoram o seu Deus. Eles andam por ali a vaguear de papelito e lápis na mão, a tirar notas dos corredores, onde estão as coisas que vão levar para casa. Babam-se. Derretem-se a imaginar e a discutir de fita métrica em punho como vai ficar mais aquela mobília linda lá em casa. Nem que ela não dure muito, mas não importa... Voltam lá outra vez e compram outra. Afinal quem é devoto de Deus volta sempre à Igreja. Ali é assim também. Mesmo que alguma coisa não funcione, que falte algum parafuso, eles estão lá novamente no próximo mês a fazer projectos e a f&@€@&der os cornos dos funcionários que já nem os podem ver nem pintados de ouro.
 
Depois existe os que não compram grande coisa, mas também compram. É assim, o dinheiro não chega pra tudo mas, tem de se fazer umas compras para não se andar a fazer figuras ridículas e dar uma de pobre e de que não tem nem um tostão para mandar cantar um cego. Ora lá andam de saco amarelo ao ombro, saco volumoso, onde cabe meio mundo e a outra metade, mas lá dentro bóia um conjunto de 6 copitos para a cozinha e um quadro de armação branca que fica como o arco do triunfo ao fim de um mês, tal não é a qualidade. O que interessa nestes é mesmo só chatear e principalmente dar assim um ar novo à decoração. Abrir, desarrumar, dar uma de muito potencial para comprar tudo, mas dentro da mala trazem a bucha de casa para comer, porque se comem lá na restauração, pelo menos os copos tinham de lá ficar. É que o cartão de crédito, já tem algum saldo disponível, porque já pagaram a última prestação, mas como só pagam o valor mínimo de 10% todos os meses e gastam logo o que podem a seguir, nunca conseguem ter mais que um plafond de 25 euros. A vida custa caneco.
 
A seguir dei com aqueles que não compram nada. Nada é nada mesmo. Andam ali caladitos, olham para os preços que até são muito baixos, mas como se lembram que estão a dever o cartão de crédito e que tem as prestações 6 meses atrasadas e arranjaram maneira de meter combustível a ferros, para ir para ali passar o tempo, nem se atrevem a usar saco nenhum. Portanto estes não precisam de saco. Os sonhos não precisam de saco. A imaginação não precisa de saco. Eles estudam a coisa, imaginam que aquela taça em vidro pintado até ficava bem lá na mesa da cozinha, mas como o orçamento está mais careca que o pai natal, entretém-se mesmo só a desarrumar. Os mais atrevidotes e zangados de não poderem comprar nada, ainda se atrevem a chamar o funcionário, para perguntar por uma peça que não vêm em lado nenhum, e que saiu de venda há 6 meses, só para terem o prazer de dizer, “há e tal assim não quero, eu queria era mesmo essa”.
 
Mas os top top são mesmo os últimos que eu vi por lá. Os que não compram nada na loja e só lá vão para comer. É assim, não é todos os dias que enfardamos que nem uns porcos, 20 almôndegas a 2 euros e meio... Por isso tem de se aproveitar. Fazem fila que parece as finanças no último dia de entrega do IRS só para aproveitar os menus ali todos espremidinhos até à última gota. E ainda por cima levam as crianças, porque mete-los a enfardar menus infantis com preços reduzidos, pode ser que com um bocado de sorte eles nem queiram jantar e poupa-se no material que está no frigorífico lá em casa. É vê-los todos felizes a empurrar os carrinhos de comida, cheios que transbordam, como quem foi ali saciar a fome no meio das compras, que não existiram, pois o cartão refeição, infelizmente, ainda não paga móveis.
 
Isto é uma maravilha, mas enquanto eu me lembrar destas ajuntamentos de família no santuário dos móveis, não vou lá meter os pés. Espero não ofender ninguém com o que escrevi aqui, mas se alguém se sentir ofendido, é  porque encaixa num destes perfis tesos que aqui mencionei. Se por acaso se se identificarem naquele perfil de quem compra tudo, também não vos dou os parabéns, porque não tarda nada estão mesmo a ter que gastar mais dinheiro, pois a mobília ao primeiro peido que atirem, vai-se dilatar que nem as vossas tripas quando acabam de comer arroz de feijão.
 
Já que a semana passada fui à missa e muitos não entenderam a aventura da maneira que eu queria, desta vez experimentei outra casa, só não foi a do Senhor. 
 
Fui.
 
Incrivelmente Insólito
 

 

 

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publicado às 01:23



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